Cristiano Ronaldo afirmou que não se está a reformar da seleção portuguesa e que merece ser punido pela sua saída do estágio da equipa nacional na semana passada. O avançado de 41 anos acusa o selecionador Jorge Jesus de quebrar a sua palavra por duas vezes, num conflito que levou o capitão a abandonar o campo de treino antes do jogo com a Dinamarca.

Ronaldo deu uma declaração extensa, com quase duas mil palavras, onde detalhou o desentendimento. A sua insatisfação começou depois de ter ficado no banco, sem ser utilizado, no triunfo por 2-1 sobre a Noruega a 4 de outubro. O jogador alega que tinha sido acordado um plano com Jesus para gerir a sua condição física, que o dispensaria dos jogos com a Noruega e a Dinamarca. «Ouví expressões e uma agressividade que acredito não merecer, uma atitude de superioridade que ele nunca me mostrou, nem remotamente, em privado no dia anterior», disse Ronaldo sobre a conferência de imprensa do treinador.

O acordo que não se cumpriu

No dia do jogo com a Noruega, Jesus terá dito a Ronaldo que jogaria 30 minutos. O capitão aqueceu a partir do intervalo, mas nunca foi chamado a entrar. Após o encontro, realizou-se uma reunião com a presença do diretor desportivo do Al Nassr, Simão Coutinho, que produziu um documento de oito pontos a esclarecer os factos. O acordo previa que Jesus faria essa clarificação na sua próxima conferência. Ronaldo afirma que as declarações públicas do treinador não corresponderam em nada à discussão privada, considerando-a uma segunda quebra de palavra. Foi então que decidiu sair do estágio.

A exigência de responsabilidade

O jogador já pediu desculpa por não ter cumprimentado os adeptos após o jogo com a Noruega e por ter deixado os colegas. Reconhece que, enquanto capitão, a sua conduta é mais grave. «A Federação Portuguesa de Futebol deve avaliar as consequências das minhas ações e punir-me por elas. Acredito que a punição não deve ser reduzida», afirmou Ronaldo. Apesar da rutura, o maior marcador de sempre de Portugal não limita as suas ambições internacionais a um jogo de despedida. Disse que, se estiver fisicamente apto, a jogar pelo seu clube e a marcar golos, após cumprir qualquer suspensão, estará disponível para competir e vencer pela seleção.

Portugal seguiu em frente sem o seu capitão, mantendo uma série positiva de resultados. A equipa venceu a Noruega por 2-1 e a Dinamarca por 4-2 a 1 de outubro, estando numa sequência de quatro vitórias consecutivas. Os golos nessas jornadas foram marcados por João Cancelo, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Félix, mostrando a profundidade do plantel. A próxima oportunidade para a seleção será já em novembro, no reencontro com a Dinamarca, em casa, a 14 de novembro. Pode consultar o calendário completo no nosso calendário e a lista de convocados na página do plantel.

Ronaldo ponderou a reforma internacional após a eliminatória da Seleção no Mundial deste verão, mas foi persuadido a reconsiderar após uma conversa com o presidente da FPF, Pedro Proença. Agora, o futuro imediato depende da decisão disciplinar da federação. O próximo capítulo desta história será escrito quando a equipa se reunir novamente para os jogos decisivos da Liga das Nações.

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