A Portugal national football team está enfrentando uma grande pressão após o início do Mundial. Com quase nove milhões de treinadores de bancada, a seleção precisa de apoio, não de críticas destrutivas. O time, liderado por Fernando Santos, precisa de confiança e união para superar os desafios que se aproximam. Andando pelo aeroporto de Paris, tive a oportunidade de ver o primeiro jogo da seleção no pequeno ecrã do telemóvel, o que me deu uma visão diferente do jogo. Os jogadores parecem todos mais juntos, mais unidos. Talvez muitos devessem ver os jogos da seleção no telemóvel, em vez de recorrerem aos mega ecrãs das Fan Zones espalhados pelas cidades. O campeonato mal começou e já temos quase nove milhões de treinadores de bancada. Brevemente teremos dois treinadores per capita. Não é mau ter todos esses treinadores, é até legítimo, engraçado e cultural. Os portugueses têm isso de especial: um ego que lhes permite achar sempre que são melhores do que o chefe, melhores do que o treinador, melhores do que os dirigentes. O mau é quando nos focamos em destruir mais do que em criticar. A crítica melhora, a destruição arrasa. Temos dificuldade em entrar no projeto dos outros e em assumir os resultados desses projetos. Acontece no futebol, mas acontece em muitas outras áreas. Temos um problema nacional com a delegação. Delegar significa entregar a quem se confia e assumir os resultados dessa confiança. Outros países vivem a festa do futebol. Os noruegueses trouxeram os vikings, o Congo tem o homem-estátua, os holandeses já se sabe o que serão. O futebol é, e deve ser, uma festa — e essa festa é para todos: jogadores, equipa técnica e adeptos. O vício do 'eu bem disse' é um problema que afeta a todos. Basta abrir as redes sociais para ver o país inteiro à espera de poder dizer 'eu bem disse'. Dentro das empresas e na vida social temos milhares de exemplos de quem arrisca tudo, inclusive aquilo de que não entende nada, só para mais tarde poder dizer que teve razão e receber o auto-rótulo de especialista. Quem atira para todo o lado acaba sempre por acertar algumas. Vamos dar já de barato que todos os que criticam a seleção terão quase inevitavelmente razão. Vai ser muito difícil Portugal vencer todos os jogos e, portanto, seja por causa do treinador, do Ronaldo, do Vitinha, do Bernardo, de quem for, quem deitar abaixo agora vai acabar por ter razão nalgum jogo. A probabilidade de sermos eliminados algures é extremamente grande. Relembro os tempos de Scolari, em que estivemos a ponto de não ter qualquer razão, e os tempos de Fernando Santos, em que não tivemos razão nenhuma nem na final. Portanto, todos temos razão à partida. E se alguém tinha algo a criticar, podia tê-lo feito antes de começar o Mundial. Agora que começou, atirar com razões não é ser esperto. É jogar contra. A seleção já tem muito com que se preocupar. Não precisa dos habituais anti-adeptos, sempre contra tudo, só para poderem dizer 'eu bem disse'. A seleção precisa de apoio e confiança para superar os desafios que se aproximam. Com a união e o apoio dos adeptos, a Portugal national football team pode alcançar grandes coisas no Mundial.